12 de junho de 2007

ONDE SE REVELA UM SEGREDO

Muitas são as pessoas que me abordam para saber como se chega a esta condição de escritor. Ainda por cima com nomes invulgares. Como cada vez mais tento viver em despojamento, aqui deixo o meu segredo mais íntimo.
E em vídeo, para maior comodidade.

11 de junho de 2007

VILANOVA-ILHA TERCEIRA



"Escaleiras"

Olhando para o arranjo em cimento torna-se difícil lembrar como era este local de banho nos anos 80. E contudo, foi daquelas ondas para a frente que vi espécies de peixe como só ali se avistam ou cardumes de alforrecas ("águas-vivas") de longos e dolorosos tentáculos entre tantas aventuras. Olho para esta imagem, apesar de invernosa, e ouço as vozes dos meus amigos de adolescência a chamar da água.

10 de junho de 2007

UM-A-ZERO PARA O TOURO

Há touradas e touradas. A Julie enviou-me este link, para lembrar a festa principal da minha terra de afeição, a Terceira. Não sendo a coisa mais edificante do mundo, não é comparável com a carnificina que enche os bolsos a empresários e cavaleiros tauromáquicos aqui do continente. É uma bullfight... e o bull farta-se de ganhar :)
BURRO VELHO...

O Luís Pereira de Sousa volta de novo à história da televisão. Desta vez, como mau perdedor de sarcasmo duvidoso, além de falhado. Ao aceitar o convite dos Gatos para dar a cara por um dos seus inúmeros dislates e acabar oferecendo-lhes uma ratazana como "révanche", cobriu-se (voltou a) de ridículo. Para as gerações mais novas fica a informação que o senhor não tem um ou dois "tesourinhos deprimentes", tem 30 anos de dinheiros públicos usados na sua preparação. Claro que nesse esforço está acompanhado por muitas centenas de tele-medíocres.

7 de junho de 2007

PONTES, FERIADOS E DE COMO QUEM OS NÃO TEM, AINDA ASSIM APROVEITA PARA IR COM QUEM PODE






Presenciar de novo a luta dos ciclopes contra as falésias. Enquanto os Belmiros nos deixarem.

6 de junho de 2007

X FILES
A RTP entrou mesmo nas séries. Penso que isto será o piloto da versão portuguesa de Ficheiros Secretos...
SALDANHA SANCHES CONTRA OS IMPOLUTOS

O todo-poderoso sindicado dos juízes já se veio queixar muito que o jurista Saldanha Sanches anda a lançar sombra sobre o seu sempre brilhante trabalho.
Devem estar a gozar.
Primeiro, metade da população acha que há pilhas de corruptos a ganhar salário dentro do sistema judicial, magistratura incluída.
Segundo, mais 25 % acha que nessa área, como em todas, há de tudo. Sendo que o poder incontestado e inquestionável de que dispôem não ajuda nada.
Claro que se entende as razões corporativas do lobby, a começar pelo hábito de chegar aos mais de 5000 euros de reforma para todos eles. Enquanto quem dobrou a espinha a vida toda se tem de governar com 200 euros.
Mas, acontece que o 25 de Abril não trouxe só os sindicados oitocentistas, transportou também consigo a possibilidade de não comer e calar obrigatoriamente. Por isso, se há alguém no meio da carneirada que pergunta, vão ter de se aguentar.
QUALIFICAR

Dá trabalho, pois dá. E quando exercemos mal uma função durante décadas não nos apetece nada repensar os procedimentos. Esta é a génese do mau funcionamento de muitos serviços. Os transportes, ancorados na pressão pela ronha da CGTP, foram exemplo acabado disto. A CP era péssima, antes do aparecimento da REFER, e a Carris não tinha explicação. Quanto a esta última, ainda tem muitas valhas, mas o processo de acredição pela Qualidade (introduzida por uma empresa externa especializada) veio mudar tudo. A maior parte dos autocarros já começa a passar a horas, os NOVOS condutores são prestáveis, em vez das bestas que nos viravam a cara quando entrávamos, etc, etc. O caminho para um país melhor passa mesmo por aqui. E quem não quiser participar no processo vai mesmo ter que ir para casa, amargo e aos gritos que o mundo está a acabar.

4 de junho de 2007

queria incluir esta imagem no cabeçalho... mas a ignorância informática levou a melhor. Fica a foto fresquinha, tirada hoje ao final da tarde.

3 de junho de 2007

CONCLUINDO A FEIRA...

Há sempre um lado bom nestas coisas das sessões de autógrafos: o de encontrarmos cara-a-cara alguns dos nossos leitores.
Para os que passaram pela minha banca de acarajés de papel, o meu obrigado. Pela simpatia e pelos votos de encorajamento.
Todo o livro tem duas faces, a de quem o escreve e a de quem o lê. E quando ambas se cruzam, é muito enriquecedor.

1 de junho de 2007

SOVIET

Uma das coisas que eu adoro na net é a iconografia. Tropeçamos constantemente em imagens de que não estávamos à procura e que acrescentam alguma coisa ao que sabemos.
Da Rússia, por exemplo, é só surpresas.

SER PORTUGUÊS (HOMENAGEM À INGENUIDADE BONDOSA DE TEIXEIRA DE PASCOAES)

Ser português em Portugal é como ser pai de uma criança estúpida. Amamo-la na mesma, daríamos tudo por ela. Mas temos pena.
UM O'NEILL PARA ACORDAR:


"FIM DE SEMANA

Estirado na areia, a olhar o azul,
ainda me treme o parvalhão do corpo,
do que houve que fazer para ganhar o nosso,
do que houve que esburgar para limpar o osso,
do que houve que descer para alcançar o céu,
já não digo esse de Vossa Reverência,
mas este onde estou, de azul e areia,
para onde, aos milhares nos abalançamos,
como quem, às pressas, o corpo semeia."

in Poesias Completas (Assírio)

30 de maio de 2007

FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

Estive eu para aqui a falar da de Évora... Deixa estar que a de Lisboa... Enfim.
Meia-dúzia de pavilhões pingados pelo parque acima. Por todo lado os "livros da crise", isto é, coisas generalistas que tentam manter as editoras à tona. O que está a ser difícil.

Pediram-me do Expresso que visitasse a feira e comprasse algumas coisas. Não soube o que comprar. Nem bem para quê,numa altura em que o dinheiro falta nas mesas de tanta gente.
Opto por comprar livros para os outros. Alguns infantis, para oferecer a instituições que acolhem e protegem putos com pouca sorte. As Obras Completas do Alexandre O'Neill, para uma miúda que tem mais sorte que os miúdos referidos anteriormente. E pouco mais. Num dos pavilhões encontro um uns diálogos de Platão, sobre a Beleza, que compro para oferecer aos amigos do C.E.M., que reflectem todos os dias sobre estas questões e que estão sempr disponíveis para dar e escutar.
Este ano não há o pavilhão faraónico no alto do parque. Houve menos uma casa comprada no Algarve com o cachet do arquitecto... Mas ainda assim faz falta um sítio digno para que escritores e público se encontrem. Bom, há lá uma tenda...



Embora não esteja a passar constantemente em rodapé na RTPn, vou estar sentadinho na feira, no sábado, dia 2. Às 17h, creio... Estão convidados para os dois dedos de conversa. Não é obrigatório comprar nada.

29 de maio de 2007

PORQUE VOU ADERIR À GREVE GERAL

Hoje vi no quadro electrónico do Metro que amanhã ainda trabalham menos. Nos telejornais, os sindicalistas também estão com os olhos brilhantes: "G-R-E-V-E...G-E-R-A-L". Há quanto tempo não os via assim.
De maneira que resolvi aderir.

Agora, tenho de encontrar é razões. Vejamos:

"Não quero perder os privilégios adquiridos".
Este não dá, porque enquanto trabalhador liberal,não tenho nada adquirido. Todos os dias tenho de me levantar para adquirir.

"A mobilidade não é para mim. Quero continuar a ir todos os dias para o mesmo sítio, ainda que não sirva para nada o que lá vou fazer".
Ando por ano, muitas centenas de quilómetros, a dar cursos aqui, a organizar coisas ali. Vou aonde me querem, sem pensar muito. Porque o banco que tem a hipoteca da minha casa, tem sede fixa e sabe onde me penhorar se não conseguir pagar. Mas calculo que seja chato encarar que as pessoas é que servem as funções e não o contrário.

"A queda urgente deste governo e substituição por um da minha cor política"...
Bom, como não tenho qualquer confiança nos partidos, tanto se me dá que esteja lá o PS, como o PSD. Se bem que no caso do primeiro, apesar da actual performance da ministra e do secretário, uma pessoa ainda tem alguma esperança que a Cultura avance. Com a direita no poder, já se sabe que as trevas baixarão de argolas nas orelhas sobre nós.

"Quero ter a certeza de que nunca serei despedido, mesmo que o meu lugar não faça nada e que a minha incompetência brade aos céus".
Esta gostava :) Sobretudo, pelo último ponto. Infelizmente, todas as minhas contratações assentam na minha competência e esforço. No dia em que eu me deitar, bem posso prepar-me para a fominha, que ninguém me dará dinheiro sem trabalhar.

"Tomei consciência de que não tenho um tostão e não consigo conviver com esta dura realidade".
Pois. Já passei por isso. Vivo com menos dinheiro do que vivi nos últimos 20 anos. Mas é o que há. E descobri que se não usar os cartões de crédito à maluca, sou capaz de chegar ao fim do mês. Mas também tenho saudades dos tempos em que Guterres e Barroso nos mentiam.

Está difícil encontrar razões para a greve. A não ser... Já sei.

Amanhã faço greve porque também quero viver no reino do faz-de-conta.

24 de maio de 2007

RUAS ERMAS SOB UM CÉU COR DE VIOLETAS ROXAS

Por nunca me terem dito, ou sequer ouvido falar, só hoje descobri que existe uma feira do livro em Évora. Mesmo nunca tendo sido convidado, continuo interessado em saber o que se passa na minha cidade de origem. Pelo que vi do programa, não faltarão bonecreiros, gigantones e cante alentejano enrolado com guitarra caipira, mostrando que a visão cultural do ano 1975 continua viva (e os programadores devem ser os mesmos). E, presumo que por influência da Biblioteca de Beja, emblemática neste trabalho, a população poderá ouvir quase todos dias, contadores de histórias.Pagos, acredita-se.
Só não vi a indicação da presença de nenhum escritor. Mas se calhar, não usam. Talvez esta feira se subordine à ideia que há um escritor em cada tocador de bombo. E um poeta em cada sindicalista que atravesse a cidade numa 4L.

ps: pelos comentários abaixo se vê que era mesmo distracção minha.
... Claro que ao procurar as notícias relativas à feira deste ano não encontrei NENHUMA referência aos escritores presentes. Peço desculpa aos amigos, mas vai a dar no mesmo. Uma feira do livro faz-se porque há pessoas que os escreveram e pessoas que os leram, querem ler mais e, em muitos casos, partilhar as suas ideias entre si. Uma feira do livro não é um mini-preço de folhas impressas. Existe porque alguém teve uma ideia, se sentou num lugar qualquer e a escreveu. E voltou a escrever. Até que a coisa se prontificou a entrar no percurso do combatente que é a publicação. Os escritores existem. E, enquanto leitor, acho que lhes devemos respeito. O respeito necessário para ao menos, teclar os nomes dos mais generosos que ali estarão de borla a justificar a existência da coisa.
Chamem-lhe excesso de zelo, se quiserem.

23 de maio de 2007

DEPRESSING PARK

Estava mesmo a fazer falta, a abertura de um parque temático, em Inglaterra, à volta dos temas de Charles Dickens. Segundo a imprensa, "Dickens World é um novo complexo, inovador, no qual se investiram cem milhões de euros, à volta da vida, livros e época de um mais amados autores britânicos, Charles Dickens (1812-1870)."
Como é sabido, ler este autor é tão animado e saudável como alguém deitar-se na av. 24 de Julho, a pensar, numa sexta-feira à noite. Não só faz doer, como causa danos permanentes.
Quem ficou satifeito foi o grupo dos realizadores portugueses. João M. Grilo terá dito (pensa-se que o murmúrio equivaleria a isso... Quem quiser meter a mão no fogo que avance): "Ora até que enfim, um sítio para uma pessoa passar um bom bocado."
Uma fatia dos alunos da Escola de Cinema também já estará a organizar uma viagem de Finalistas ao referido parque. Em opção ponderam a hipótese de uma grande festa onde todos cortariam os pulsos lentamente, guinchando como um exótico marsupial da Papuásia de nome impronunciável.
O ICA(M) preocupado com a necessidade de se aprovar apenas filmes onde ninguém meta os pés, também gostou, podendo vir mesmo a acrescentar uma notazinha no anúncio dos concursos chamando a atenção dos candidatos aos apoios para filmes sobre as vantagens de se copiar a depressing mood para ter possibilidades em futuros concursos.
Mais informações aqui.


O mais animado que se conseguiu até hoje foi isto. E com cantoria!

22 de maio de 2007

SOBE SOBE BALÃO SOBE

Bastava ver as suas declarações ocas à frente da neo-pide portuguesa, ou ver a forma meteórica como saltou no último ano de tacho em tacho, para se saber que ele acabaria em ministro.O Tribunal Constitucional já dava um dinheirinho chorudo, mas as perspectivas de carreira que se abrem como novo Ministro da Administração Interna, quando sair ( e a sua cabeça já estará nisso, de certeza) são muito superiores.
A ambição e o despudor dos políticos portugueses deve ser das mais competitivas do mundo.
Vá lá,uma coisa em que estamos à frente.
PENSEM BEM

A Lusa divulgou um inquérito da Comissão Europeia, segundo o qual: "Nove em cada 10 portugueses apoiam a proibição de fumar em espaços públicos fechados, com uma clara maioria a defender a que a interdição abranja restaurantes e mesmo bares, revela um estudo divulgado hoje pela Comissão Europeia (...)
De acordo com o estudo, 92 por cento dos portugueses apoiam a proibição de fumar nos escritórios e outros locais de trabalho fechados, e 91 por cento defendem a interdição de fumo em todos os espaços públicos fechados, como metro, aeroportos e lojas (a média comunitária em ambos os casos é de 88 por cento de apoio)."
Ainda assim... Acho que se devia pensar muito bem, ouvir os comentadores da sic que apelidam esta medida de "nazi" e "persecutória". Sobretudo, porque o mesmo inquérito revela que Portugal é o país da Europa onde "menos fumadores deixaram o cigarro de lado (12 por cento, tal como Chipre, contra 21 por cento da média comunitária (...) Os fumadores portugueses - um em cada quatro inquiridos (24 por cento, quando na União a média é 32 por cento) - são dos que fumam mais já que a esmagadora maioria (97 por cento) fá-lo todos os dias, e 38 por cento fumam mais de um maço de cigarros por dia (sendo a média comunitária de 26 por cento)."
Ao ler estes resultados, algumas pessoas pensariam até que se está a falar de uma dependência química, como a cocaína... Podendo até haver médicos e investigadores conhecidos a insinuar (de forma nazi e persecutória, claro) que a nicotina actua exactamente nas mesmas zonas do cérebro que o referido opiáceo.

Juntar assim, a dependência dos opinion makers e a perda de receitas (que será brutal) nos impostos é, de facto, de assustar qualquer governante.

20 de maio de 2007


ESTATÍSTICA FAMILIAR


O Instituto Nacional de Estatística divulgou que "83,7 por cento da população empregada, com pelo menos um filho ou dependente a quem prestem cuidados, diz que não deseja alterar a sua vida profissional para poder dedicar mais tempo a cuidar deles. Os que admitem desejar trabalhar menos para conseguir aquele objectivo representam apenas 13,4 por cento. A percentagem de mulheres nesta situação mais do que duplica a dos homens (18,8 por cento contra 8,1)."
Interessante.
Também ficámos a saber que em matéria de aquisição de electrónica para o lar, os portugueses estão mais motivados para se continuarem a apetrechar.
Normal.
É por isso que as escolas são cada vez mais obrigadas a alargar o tempo em que os miúdos ficam lá presos. Entretidos, claro, com a net e dvds de blockbusters.
Pessoalmente, fiz uma pequena busca na net e encontrei estes artefactos que talvez possam ajudar ainda mais a resolver o problema da liberdade dos pais.